É um movimento que objetiva informar e orientar os cidadãos, especialmente os que pensam em se candidatar ou já se candidataram a cargos eletivos, a respeito das regras eleitorais e seus efeitos práticos, esclarecendo aspectos desconhecidos pela maioria, e muitas vezes difundidos pelos partidos de forma distorcida ou em desacordo com a realidade.

 

A ideia surgiu como forma de dar efetividade à pretensão predominante na população brasileira, no sentido de não reeleger os atuais representantes. Esse desejo se manifesta a cada eleição, e notamos que, além de não funcionar, as vagas dos poucos não reeleitos são quase sempre ocupadas por pessoas que ocupavam outros cargos (deputado estadual ou prefeito que se elege deputado federal, vereador que se elege prefeito ou deputado estadual, por exemplo), ou que já ocuparam o mesmo cargo anteriormente.

 

Um exemplo ilustrativo dos aspectos desconhecidos pela maioria da população é a regra da votação proporcional, atualmente em vigor. É comum ouvirmos pessoas atribuindo a culpa pela má qualidade dos nossos parlamentares ao eleitor, afirmando que “o povo vota mal”. Em geral as pessoas não sabem que, nas eleições para vereadores e deputados, cerca de 80 % dos eleitores não votaram nos candidatos que ganharam as eleições, e, assim, os eleitos foram escolhidos pelos 20% restantes. Este fato não tem relação com a conhecida figura do “puxador de votos”, ou seja, do candidato com grande votação e que acaba beneficiando outros candidatos do mesmo partido ou coligação. É um fenômeno raro, que atualmente é conhecido como “efeito Tiririca”, mas não é disso que estamos falando. A distorção a que nos referimos acontece em todas as eleições e é a principal razão para a falta de representatividade das casas legislativas.

 

Outro exemplo de informação que precisa ser levada ao conhecimento dos eleitores, de forma didática e objetiva, é a de que a quase totalidade dos deputados e vereadores não seria eleita se não fossem os votos dados aos candidatos derrotados. E estes candidatos com votação menor (que normalmente representariam a maioria do eleitorado – basta lembrar dos 80%) poderiam ser eleitos se soubessem analisar os dados das eleições anteriores e participar das coligações mais adequadas, ou montar suas próprias coligações. Na grande maioria das vezes os candidatos não têm ideia de como são as regras eleitorais e quais as suas consequências, deixando tudo por conta dos funcionários dos partidos e assessores dos deputados e vereadores, os quais, naturalmente, tendem a atender as expectativas de quem já foi eleito, pois devem a eles os seus empregos. Aí reside parte da explicação para o baixo índice de renovação nas câmaras e assembleias.

 

Não pretendemos, pelo menos por enquanto, defender mudanças na legislação ou interpretações diferentes das que têm sido dadas às regras. Temos consciência de que a maioria dos integrantes do Congresso Nacional objetiva sempre mudar as regras para favorecer as suas próprias candidaturas. O que queremos agora é esclarecer e informar.

 

Qualquer pessoa pode questionar, inclusive através de nossos canais abertos de comunicação, as ideias e informações aqui expostas, e encaminhar suas dúvidas para que sejam esclarecidas.

 

Nosso objetivo principal é compartilhar conhecimento para oferecer aos candidatos sem recursos para a compra de apoio (que no eufemismo político se chama de “estrutura”) meios que possibilitem uma disputa justa, e para isso contamos com os cidadãos em geral, divulgando este movimento e até mesmo participando das eleições como candidato, pelo partido de sua preferência. Aqueles que entendam não possuir o perfil adequado para uma candidatura serão incentivados a apoiar, de maneira efetiva, ou estimular, candidaturas de pessoas de sua confiança.

 

Com isso acreditamos estar contribuindo para o fortalecimento da democracia, fazendo com que cada vez mais os eleitos atendam às expectativas dos cidadãos.